Arquivo para agosto, 2010

Pouco podemos esperar com relação a decisões políticas sobre metas de redução de emissões no encontro de negociações climáticas em Cancun

Laura Antoniazzi* 

A reunião da Convenção da ONU para Mudança do Clima (UNFCCC), ocorrida na primeira semana de agosto em Bonn, Alemanha, marca o meio do caminho entre as Conferências das Partes (CoPs) de Copenhague e Cancun. Apesar da sensação de fracasso após Copenhague, os avanços técnicos dos grupos de trabalho do Protocolo de Kyoto em Bonn podem representar um novo fôlego para as negociações e expressam a vontade de que o Protocolo seja renovado, principalmente por parte dos países em desenvolvimento. 

 
As reuniões preparatórias de negociação têm o objetivo de criar convergências de conceitos técnicos e avançar em pontos centrais para facilitar e agilizar a tomada de decisão política que acontece nas CoPs. E, em Bonn, novas perspectivas se abriram aos chefes de governo para a CoP 16, no México, com base nas reuniões realizadas nos dois trilhos de negociação da Convenção – Protocolo de Kyoto e Compromissos de Longo Prazo (LCA).
 
No trilho do Protocolo de Kyoto, alguns países em desenvolvimento bancaram a proposta de incorporar nas definições de compromissos de redução – além da responsabilidade histórica – as Emissões per capita, o que obviamente daria folga para as Emissões de países superpopulosos como China e Índia. Essa mudança de foco da geografia para a demografia na definição de critérios em uma negociação multilateral representaria uma equidade ainda maior do que o princípio da ONU de igualdade entre países. Podemos esperar que essa proposta ganhe força entre os emergentes, no entanto, encontrará grande resistência entre países desenvolvidos e também entre países em desenvolvimento menos populosos.
 
Outro ponto importante debatido no Grupo de Trabalho do Protocolo de Kyoto – e que avançou na reunião de Bonn – foi a participação das atividades de Uso e Mudança do Uso da Terra e Florestas (LULUCF). Estão sendo estabelecidos critérios para a contabilização de Emissões e remoções de Florestas plantadas para uso comercial e definições de linhas de referência para estoques de carbono. Os avanços nessas questões significam que o texto de negociação está conciso e com poucas divergências, tecnicamente bem encaminhado para a decisão dos líderes políticos.
 
O Protocolo de Kyoto definiu metas de redução de gases de efeito estufa (GEE) para os países desenvolvidos – chamados de Países do Anexo I – para o período entre 2008 e 2012. Agora, o grupo de trabalho discute como será a segunda fase de compromissos, que seria de 2013 a 2017, e duas principais questões travam essa definição.
 
A primeira é que os Estados Unidos não ratificaram o Protocolo de Kyoto e, assim, os demais países desenvolvidos percebem que estão em desvantagem e até arrependidos por terem aderido. Enquanto os Estados Unidos não se movimentarem, dificilmente uma solução consensual será alcançada na CoP. Acompanhar o desenvolvimento da legislação climática por lá é algo fundamental.
 
O segundo nó refere-se à participação dos países emergentes nos esforços de mitigação das Emissões, pois cada vez mais China, Índia e Brasil estão no centro das decisões econômicas e políticas mundiais – e igualando a responsabilidade de emissão de GEE. Esses países, por sua vez, argumentam que é preciso considerar a responsabilidade histórica dos países desenvolvidos no total das Emissões e que ainda precisam continuar emitindo de forma crescente nos próximos anos a fim de obterem o mesmo nível de desenvolvimento para sua população.
 
Em meio a esse caloroso debate, o que se tem de concreto é que mesmo as metas apresentadas pelos países desenvolvidos e os compromissos declarados pelos países em desenvolvimento anexados ao Acordo de Copenhague não são suficientes para assegurar um aumento máximo da temperatura de 2º C, conforme estabelecido no texto do próprio Acordo.
 
Segundo estimativas de especialistas apresentadas durante workshop na reunião de Bonn, as metas e compromissos dispostos na mesa de negociação atualmente levariam a um aumento de temperatura de cerca de 3,5º C. Uma importante questão envolvida nas definições de metas é o limite para uso de mecanismos de flexibilização, que são mecanismos associados a mercados que diminuem os custos para se atingir as reduções, como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).
 
Enquanto o grupo do Protocolo busca definir novas regras e metas de redução de GEE para o segundo período de compromissos – com as questões técnicas já relativamente bem definidas – o grupo de Compromissos de Longo Prazo (LCA) abrange questões mais sistêmicas e ainda pouco palpáveis, como mitigação, adaptação, financiamento, transferência de tecnologia e capacitação. O LCA pretende criar objetivos ambiciosos para o futuro e incluir novos temas e ferramentas para lidar com a mudança do Clima e, por ensejar temas muito conceituais e novos, não caminha com a mesma fluidez que o Protocolo de Kyoto. E o ideal, claro, seria que os dois grupos de trabalho avançassem juntos.
 
Ao que tudo indica, pouco podemos esperar com relação a decisões políticas sobre metas ou outros objetivos concretos de redução de Emissões em Cancun. No entanto, os negociadores estão se esforçando para apresentar soluções em outros temas, como abordagens setoriais e financiamento para adaptação – até mesmo para atender às grandes expectativas e comoções que o tema vem ganhando na agenda internacional.
 
Bonn foi a segunda reunião preparatória de 2010, sendo que uma última ocorrerá na China, em outubro, antes da CoP do México, em dezembro. As negociações internacionais de Clima são o principal fórum de debate sobre desenvolvimento sustentável da atualidade e seus desdobramentos são sentidos nas mais diversas áreas, desde política industrial e conservação da Biodiversidade até ajuda internacional para países pobres. Assim, o acompanhamento de tal negociação é imprescindível a todos aqueles que trabalham por um mundo mais justo, limpo e próspero.  

 

FONTE: VALOR ECONÔMICO - Quarta-Feira, 25 de agosto de 2010 – Página A 11

* Laura Antoniazzi é pesquisadora do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (ICONE). e.mail: lantoniazzi@iconebrasil.org.br .

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GEDIMA consegue o projeto da Prefeitura de Belo Horizonte e vai participar da V SEMANA NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS!!!

Aguardem mais informações.

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Queimadas no País crescem 85% em relação a 2009

14 de agosto de 2010 | 7h 09

ANDREA VIALLI – Agência Estado

O número de focos de queimada em todo o Brasil, acumulado desde o dia 1.º de janeiro até ontem, cresceu 85% em comparação ao mesmo período de 2009. O satélite NOAA-15, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), identificou 25.999 focos de incêndio quando de janeiro a agosto de 2009 haviam sido registrados 14.019 focos.

O prolongado período de estiagem, o hábito das queimadas em áreas agrícolas e as dificuldades de logística para conter o fogo agravam o problema de norte a sul do País. De acordo com o relatório do Inpe, é primeira vez, desde 2007, que se registra crescimento no número de focos.

Entre os Estados com mais queimadas estão Mato Grosso, com 6.693 focos; Tocantins, com 4.210; Pará, com 2.526, e Bahia, com 2.020. As maiores variações foram encontradas no Tocantins (aumento de 407%), no Piauí (365%) e no Distrito Federal (250%).

“Seguramente a questão climática tem forte peso. Este ano o período de estiagem está mais longo. A mudança no padrão meteorológico é real”, diz Bóris Alexandre César, diretor de operações da Fundação Florestal, ligada à Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo. Segundo ele, há dez anos a estação seca durava de julho ao início de setembro. Hoje, a expectativa dos climatologistas é que dure até outubro.

Fonte: estadao.com.br

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Areia das praias de cidades brasileiras pode desaparecer, diz especialista

Para geólogo, os maiores vilões são o aquecimento global e as ações nocivas ao meio ambiente

16 de agosto de 2010 | 19h 48

Agência Brasil

RIO DE JANEIRO – A escassez progressiva da areia pode fazer com que algumas praias do litoral brasileiro desapareçam do mapa, principalmente nas cidades. A afirmação é do geólogo e geógrafo Dieter Muehe, para quem os maiores vilões desse fenômeno são o aquecimento global e as ações nocivas do homem ao meio ambiente.

Em entrevista à Agência Brasil, Muehe explicou que as mudanças climáticas estão provocando elevações do nível do mar e tempestades em ritmo acelerado, tornando vulneráveis as faixas de areia de muitas praias do País.

“As regiões urbanas são as que correm mais risco, pois geralmente a perda de areia não é reposta naturalmente e a orla sofre maior erosão. Isso já ocorre em várias praias do Rio de Janeiro, como Piratininga, Ipanema e Cabo Frio”, cita o geólogo.

O estudo foi apresentado na 62ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), de 25 a 30 de julho, em Natal.

Embora preocupante, a situação pode ser revertida, explicou Muehe. “As areias retiradas precisam ser repostas por meio de dragagens com areias idênticas às da praia ou mais grossas”, explica.

Outra solução, segundo o especialista, é a exploração de depósitos arenosos na zona submarina, embora seja uma alternativa cara, por já serem usadas pela construção civil ou por causa da proibição de sua exploração por questões ambientais.

Ele alertou que é fundamental investir em estudos sobre as fontes de sedimentos, com depósito de areia adequado, “além de saber como tirá-la para não afetar a biologia da área”.

Muehe repete o ditado de que é melhor prevenir do que remediar. “O certo seria adotar faixas de não-edificação, conforme previsto por lei, que variam de 50 a 200 metros, e assim teremos um espaço de ajustamento da linha da costa”, acredita.

O pesquisador lamentou que esse procedimento seja praticamente impossível em áreas urbanizadas. “No Leblon e em Copacabana, por exemplo, não tem jeito. Nesse caso, compensa o investimento na manutenção da praia de forma artificial. Há lugares do mundo em que se repõe areia a cada ano, o que precisa ser intensificado e coordenado de forma mais eficiente”, avalia o geólogo.

FONTE: estadao.com.br

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Desmatamento cai, mas ‘puxadinho’ preocu pa

Governo adverte que redução de 49% no desmate em11 meses não inclui abate em áreas pequenas, que não é detectado por satélite e vem crescendo

10 de agosto de 2010 | 0h 00

Marta Salomon/BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

Com um novo padrão de desmatamento, concentrado em áreas menores e batizado de “puxadinho”, o abate de árvores na floresta amazônica deverá somar este ano cerca de 5 mil km², segundo estimativa do governo. A área, superior a três vezes o tamanho da cidade de São Paulo, representará o menor desmatamento em 23 anos, desde que o corte de árvores passou a ser monitorado pelos satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Faltando apenas um mês do período de apuração da taxa anual de desmatamento da Amazônia, dados do sistema Deter mostram uma queda de 49% no ritmo das motosserras entre agosto de 2009 e junho de 2010, comparado ao mesmo período do ano anterior. Esse sistema é mais rápido e menos preciso que o Prodes, responsável pela taxa oficial de desmatamento, divulgada ao final de cada ano.

“O desmatamento “puxadinho” tem crescido”, observou ontem a ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente), sobre o corte da vegetação em área inferior a 25 hectares, o equivalente a 25 campos de futebol. É uma área pequena demais para os satélites do Deter enxergarem, diferentemente das grandes frentes de corte. No ano passado, o desmatamento “puxadinho” representou 60% do total. O porcentual triplicou em sete anos.

Meta. “O desmatamento do ano deverá ficar em torno dos 5 mil km²”, calculou o ministro Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia). O número é menor que os 7.464 km² registrados no ano anterior, cumprindo com folga a expectativa para 2010, destacou o presidente do Inpe, Gilberto Câmara. A meta oficial é reduzir em 80% o desmatamento da floresta em relação ao previsto para 2020.

O sistema de detecção do desmatamento em tempo real, criado para orientar a ação dos fiscais, captou o corte de 1.808 km² de floresta em 11 meses, contra 3.537 km² registrados entre agosto de 2008 e junho de 2009. Em junho, os satélites captaram o corte de 244 km², 58% a menos que o mesmo mês do ano passado. A redução é mais significativa porque não havia muitas nuvens para atrapalhar a visão dos satélites.

O Pará se mantém na liderança do desmatamento. “Não podemos afirmar se a causa é pecuária, abertura de estradas ou assentamentos. Temos de investigar”, ponderou Izabella Teixeira. O governo analisa a hipótese de o desmatamento ser resultado de planos de manejo de floresta falsos no Estado.

O Estado do Amazonas foi o único que registrou aumento do desmatamento no período de 11 meses e também será objeto de análise mais aprofundada na divulgação da taxa oficial de 2010, no mês que vem.

A partir de 2012, o governo federal espera dispor de novos satélites, mais precisos, para monitorar o abate da floresta.
Destruição discreta

Desmate ocorre em área menor:

60% é quanto o “puxadinho” representou do total de desmatamento da floresta amazônica. Há sete anos, esse porcentual era de 20%.

1.808 km² de floresta foram derrubados entre agosto de 2009 e junho

FONTE: estadao.com.br

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Acre decreta alerta ambiental por causa de queimadas

10/08/2010 – 04h34

RACHEL AÑÓN
DE SÃO PAULO

O governo do Estado do Acre decretou nesta segunda-feira (9) estado de alerta ambiental por causa dos incêndios em florestas e das queimadas sem controle que atingem a região. Segundo estimativas do governo, o número de focos de calor aumentou 587% em relação ao ano passado.

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) coordena, desde ontem, todos os trabalhos relacionados ao acompanhamento e combate às queimadas no Estado. Também foi criada uma “sala de situação”, que funcionará junto ao gabinete do governador e permitirá o acompanhamento em tempo real da situação.

De acordo com o governador Binho Marques (PT), o decreto atendeu a recomendação do Comitê de Gestão de Riscos Ambientais (CGRA), que avaliou a possibilidade de ocorrer incêndios florestais de grandes proporções. O clima seco característico do verão nesta região, com previsão de friagem e ventos, podem agravar a situação no meio rural e nas cidades.

Em 2005, foi decretada situação de emergência em decorrência das queimadas no sul e sudeste do Estado.

FONTE: folha.com

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